
Quem somos?!
Desta forma tentamos unir artisticamente o Teatro, a Música e as Artes Plásticas numa atitude de exploração conjunta da arte, do corpo, dos materiais, sons, das palavras, das ideias, das ambiências, dos processos, dos sentidos. Procuramos desde o silêncio ao grito, explorar os limites e reencontrar a liberdade de criar, sem a dependência total das instituições e do capital como base da criação.
Descartes diz-nos: age com mais liberdade quem melhor compreende as alternativas em escolha. Quanto mais claramente uma alternativa apareça como a verdadeira, mais facilmente se escolhe essa alternativa.
Caminhemos então em direcção às alternativas.
quinta-feira, 12 de maio de 2011
C.A.L + UE no FATAL, Lisboa

sábado, 26 de março de 2011
13ª Casa do Zodíaco
13ª Casa do Zodíaco nasceu da vontade de trabalhar um texto não teatral, poético, que traduzisse universos que tratassem a arte e os sentimentos de forma genuína e com o qual me identificasse de uma forma pessoal.
Anais Nin, escritora que já faz parte da minha estante de livros há algum tempo, dá muito da sua vida em tudo o que escreve, e foi sem hesitação que me propus a este texto, desafiando-me desde a dramaturgia, passando pelo processo, até à proposta de espectáculo.
A autora invade-nos, no texto A Casa do Incesto, de referências mitológicas que se interligam com referências autobiográficas, abrindo um leque de hipóteses para a exploração prática destas palavras. Pessoalmente optei por tentar explorar um pouco das duas referencias, embora sempre procurando o meu espaço por entre estas linhas objectivando a criação de uma linguagem própria.
Parti de uma premissa: fundir corporalidade e texto num trabalho multidisciplinar. Dois universos que me são inerentes, o trabalho de corpo e o trabalho de texto, explorando-os através de propostas de exercícios e estímulos constantes.
Os estímulos: música – sempre muito presente e incitadora de universos imagéticos; imagem – como complemento e alimentando o trabalho de exploração performativa; elementos plásticos – para desenvolver acções em cada universo e cenografando, de forma minimalista, o espaço.
Não sei explicar sucintamente este processo. Foi, e será até ao último dia, forte, difícil, denso, envolvente e aliciante.
A 13ª casa do zodíaco é o resultado de um processo de 1 mês e meio de trabalho em equipa, transportando para cena uma proposta, em aberto, do que poderá ser um espectáculo e a transposição do livro A Casa do Incesto para um espectáculo multidisciplinar.
A todos os que montaram comigo esta floresta, o meu muito obrigado.
A todos os que estiveram comigo desde o inicio deste Mestrado, acreditando, incentivando e apoiando, dedico este trabalho de todo o coração.
Ana Margarida Leitão
Ficha técnica: Encenação: Ana Leitão Interpretação: Henrique Calado, João Luz, Mafalda Marafusta, Paulo Pimenta, Rita Costa, Rubi Girão e Vanda Rodrigues. Música: Diogo Penas e Miguel Alegria. Cenografia e adereços: Catarina Castanho e Daniel Figueiredo. Desenho de luz: Joana Velez e Nando Zambia Multimédia: Ricardo Fernandes Design: Leopoldo Antunes Operação de som: Alexandre Pais Operação de luz: Joana Velez Operação de vídeo: Daniel Figueiredo Produção: Rubi Girão
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Um quarto cujo tecto me ameaça como um par de tesouras abertas. Janelas de águas-furtadas. Estou na cama deitada como cascalho. Todas as conexões se vão partindo. Deixo vagarosamente cada ser que amo, vagarosa, cuidadosa, completamente. Digo-lhes o que lhes devo e o que me devem. Guardo-lhes os últimos olhares e o último orgasmo. A minha casa está vazia, inundada de sol, viva de reflexos, o seu silêncio cheio de implicações, imagens secretas que um qualquer dia me enlouquecerão na altura em que deterei de pé frente às paredes brancas, ouvindo mais do que é possível e vendo mais do que é humanamente tolerável. Deixo-os a todos. Morro num quarto-tesoura despossuída de amores e de pertenças, nem sequer constando do livro de registos do hotel. Neste mesmo instante sei que se ficasse alguns dias neste quarto uma vida completamente nova poderia começar - como a cicatrização da carne depois de uma operação. Mas mais do que o terror da morte é o receio desta vida nova que me mantém acordada. Salto da cama e saio deste quarto que me envolve como uma túnica envenenada, apoderando-se da minha imaginação, corroendo-me a memória de tal modo que em sete tempos terei esquecido quem sou e quem amei.
Era o quarto número 35 onde na manhã seguinte poderia ter acordado louca ou puta.
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
diz Anaïs...
Porque escrevem as pessoas?
Já me fiz tantas vezes esta pergunta que hoje posso respondê-la com a maior facilidade.
Elas escrevem para criar um mundo no qual possam viver.
Nunca consegui viver nos mundos que me foram oferecidos: o dos meus pais, o mundo da guerra, o da política.
Tive de criar o meu, como se cria um determinado clima, um país, uma atmosfera onde eu pudesse respirar,
dominar e recriar-me a cada vez que a vida me destruísse.
Esta é a razão de toda obra de arte.
Só o artista sabe que o mundo é uma criação subjectiva, que é preciso escolher, seleccionar.
A obra é a concretização, a encarnação do seu mundo interior.
Ele espera impor a sua visão pessoal, partilhá-la com os outros.
Se não atinge esta última finalidade, o verdadeiro artista persiste assim mesmo.
Os poucos momentos de comunhão com o mundo valem esse sofrimento, pois finalmente esse mundo foi criado
para os outros como um legado, como um dom a eles destinado.
Também escrevemos para aprofundar o nosso conhecimento da vida.
Para atrair, encantar e consolar.
Escrevemos para acalentar os nossos amantes.
Para degustar em dobro a vida: no momento preciso e retrospectivamente, na sua lembrança.
Escrevemos, como Proust, para tornar as coisas eternas e para nos convencermos de que elas o são.
Para podermos transcender a nossa vida e alcançarmos o que existe além dela.
Escrevemos para aprender a falar com os outros, para testemunhar nossa viagem ao labirinto.
Para abrir, expandir nosso mundo quando nos sentimos sufocados, oprimidos ou abandonados.
Escrevemos como os pássaros cantam, como os primitivos dançam os seus rituais.
Se não respirar quando escreve, não gritar, não cantar, então não escreva porque a sua literatura será inútil.
Quando não escrevo, o meu universo reduz-se; sinto-me numa prisão.
Perco a minha chama, as minhas cores.
Escrever deve ser uma necessidade, como o mar precisa das tempestades – é a isto que eu chamo de respirar.
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
"A Casa Do Incesto" de Anaïs Nin ou A 13ª Casa do Zodíaco

Lançamo-nos numa nova viagem, através de um mundo surreal onde o Sonho e a Realidade não têm dimensão palpável, e o dia e a noite se fundem em imagens de constante metamorfose.
A 13ª Casa do Zodíaco será um novo projecto, realizado a partir do livro "A Casa do Incesto" de Anaïs Nin, objectivando a criação partindo de textos não teatrais - um trabalho de pesquisa explorando a contemporaneidade da palavra na plasticidade do corpo e da imagem -, numa procura de novos processos e de material que nos estimule à recriação de universos que nos surpreendam.
Daremos noticias. Mantenham-se em contacto.
C.A.L