Quem somos?!
Desta forma tentamos unir artisticamente o Teatro, a Música e as Artes Plásticas numa atitude de exploração conjunta da arte, do corpo, dos materiais, sons, das palavras, das ideias, das ambiências, dos processos, dos sentidos. Procuramos desde o silêncio ao grito, explorar os limites e reencontrar a liberdade de criar, sem a dependência total das instituições e do capital como base da criação.
Descartes diz-nos: age com mais liberdade quem melhor compreende as alternativas em escolha. Quanto mais claramente uma alternativa apareça como a verdadeira, mais facilmente se escolhe essa alternativa.
Caminhemos então em direcção às alternativas.
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Processo Plástico Criativo
Actriz e espectadora do meu teatro do mundo, deito os foguetes, convido e aplaudo.
Acuso os outros quando me queimo. Não tenho coragem nem amor próprio.
Zombam de mim. Dizem que não sou capaz de fazer um filho vivo, mais do que uma marioneta na ponta da guita…
Faço de conta que vivo e logo a seguir que morro.

Um escarrito sem jeito mal tirado.
Tosse fraca.
Pigarro.
Nada.
Perdão.
É-se educado ao tossir.
Põe-se a mão diante da boca.
Pede-se desculpa.
Foge-se.
Vergonha.

Mexo-me, gesticulo, desarticulo-me.
Sou de papelão.
Vejo cada uma das partes do meu corpo separada, exacta, decepada, precisa, isolada, desligada das outras: a boca, o nariz, o olho, o outro.
Repito: a boca, o nariz, o olho, o outro.
As palavras não fazem sentido. Já não representam nada.
Sons somente.

Deito-me aos pés da Senhora Psiquiatra. O silêncio é bom. Não nos mexemos.
Como em cima de uma almofada. Já não bulimos.
Enroscamo-nos com sorrisos de gato.
Observo-lhe as pernas. Uma liga preta fina frisada termina na presilha entre nylon e a pele.
Duas ligas esticadas quando ela se levantar.
Mais acima a cinta elástica deve tapar-lhe o umbigo, segurar-lhe o ventre redondo.
As meias repuxadas.
O sexo castanho dourado. Vermelho no centro.

Somes-te como um bicho por detrás dos teus olhos fechados,
cavas um mísero buraco,
escavas com as unhas no travesseiro,
recusas-te a despertar.
Fez o meu sonho em cacos. Já não respondo.

Hei-de arregaçar a saia, mostrar-lhe o meu segundo rosto e abrir os lábios. Escarlate.

Tu, apodero-me do interior do teu corpo…
O desejo congestiona-me os lábios.
O desejo tortura-me a fenda. A ferida que tenho no ventre tornada
Esta espécie de meio-pau mutilado. Um sexo sem passado doente
Decidi: A loucura escolhida escrita nas folhas, esta loucura feita com as minhas palavras e os meus desejos.
Lancei-me no delírio como uma imensa extensão de água à minha frente, impelida e atraída pelo meu duplo.
Os outros na margem, tentavam recuperar-me, interromper-me.
Proibiam-me que ultrapassasse as fronteiras da decência.
Investiam, seduziam-me com drogas, ameaçavam-me.
Eu fugia para mais longe.
segunda-feira, 29 de junho de 2009
domingo, 24 de maio de 2009
sexta-feira, 22 de maio de 2009
Estreia 1ª Sessão
Abriremos as portas da casa nº3, r/c drt, da Rua Joaquim Henriques da Fonseca, no dia 31 de Maio, domingo, às 19h e 22h. Cada sessão tem a limitação de 25 pessoas, assim, apelamos à marcação através de email ou contacto telefónico.
Apareçam, manifestem-se, critiquem.
Futuramente, a C.A.L também vai estar presente, juntamente a outros projectos - Agora Teatro, Cooperativa Obtusa, Karingana, entre outros - com mais uma proposta desconstrutiva deste mesmo projecto, já alternando entre pequenas partes das 3 sessões, na programação complementar à BIME, que terá lugar de 2 a 7 de Junho na Casa Dos Bonecos. Assim, dia 5 de Junho, às 0:15h convidamos todos os que queiram aparecer.
Caminhemos rumo às alternativas!
domingo, 19 de abril de 2009
sexta-feira, 17 de abril de 2009

Primeiro Projecto
O que é ser normal? O que é que nos faz seres sociais? O que é a sociedade? Onde nos encontramos fora dentro? Onde somos livres? Somos livres?
É com base no texto Teatro de Emma Santos, que depois de várias reuniões, a comunidade da C.A.L se lançou no seu primeiro projecto, um projecto a partir da desconstrução e recriação textual, deixando no ar as perguntas que Emma queria ver ditas e pensadas pela sociedade.
Será que o tempo da realidade vai voltar?
Será que volta como na infância antes das pessoas crescidas e as suas mentiras destruírem o sonho?
Assim, juntos em introspecção criativa e em ebulição construtiva, caminhamos já a meio processo de fazer surgir este primeiro projecto de nome: SÓ TRATO LOUCAS NORMAIS. Crescido em estruturas nada convencionais propomo-nos a rasgar e repensar a forma de se mostrar a arte, de se fundir a arte, objectivando a ocupação de espaços abandonados ou pouco usados da cidade de Évora. Apresentaremos 3 sessões - Fora Dentro; Uma Vida Falsa Muito Mais Verdadeira; A Palavra Aceita o Silêncio - em que, da parte do público interessado, terá de haver um olhar atento para que as possa seguir. Numa ambiência entre a cenografia e instalação, recriaremos esta mulher – Emma -, pensamentos e sentidos, presente e passado. O futuro… é uma incógnita.
Para quem estiver interessado numa amostra, dia 30 de Abril, fazemos um pequeno “ensaio/exploração” de uma parte do texto no Bang Bang dos CÉPIA – numa noite de Monte Alentejano – em Évora. Desde já agradecemos a abertura e apoio dos CEPIA ao projecto e apresentação do mesmo.
Entretanto, que Santa Barbara de Nexe nos ajude a encontrar os óculos pretos de Emma Santos.
Até lá,
fiquem atentos

