Quem somos?!



Pensamos a arte de uma forma livre... Foi a partir daqui que nos juntámos e formámos a C.A.L. uma comunidade aberta a ideias, projectos, abraçando alternativas ao que de convencional se faz por aí. Trabalhamos a arte no sentido de dar e abrir a públicos que procurem estímulos diferentes, num processo de desconstrução e recriação. Como refere Antonin Artaud, antes de mais nada, necessitamos de viver, necessitamos de acreditar no que nos faz viver e em que algo nos faz viver (…).
Desta forma tentamos unir artisticamente o Teatro, a Música e as Artes Plásticas numa atitude de exploração conjunta da arte, do corpo, dos materiais, sons, das palavras, das ideias, das ambiências, dos processos, dos sentidos. Procuramos desde o silêncio ao grito, explorar os limites e reencontrar a liberdade de criar, sem a dependência total das instituições e do capital como base da criação.
Descartes diz-nos: age com mais liberdade quem melhor compreende as alternativas em escolha. Quanto mais claramente uma alternativa apareça como a verdadeira, mais facilmente se escolhe essa alternativa.
Caminhemos então em direcção às alternativas.
A.M.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

SHABAT ? ou ADEVA- produzido a partir de AlaranjA

A C.A.L comunidade de artistas livres, convida a aparecerem este Sábado, no Time Out - Évora, para assistirem a SHABAT? ou ADEVA, uma produção feita a partir de AlaranjA.
Numa natural adaptação ao espaço, depuramos o trabalho realizado a partir do Workshop de criação livre e recriamos um pequeno espectáculo de movimento teatral ao qual demos o nome de SHABAT?*ou ADEVA.
Serão feitas duas apresentações, com dois actores e dois músicos, através de uma viagem que vai desde Adão e Eva até à consciencialização do que fazemos actualmente connosco e com o planeta que nos acolhe.
Contamos com amigos, conhecidos, desconhecidos, estrangeiros, todos os que quiserem aparecer, assistir, criticar, deixar opinião, manifestar-se e beber um copo.
Estaremos no Time Out, dia 19, Sábado, a partir das 22h.
Continuando a acontecer...
C.A.L




* Não tenho por habito explicar os títulos dos eventos, mas para que não fique a ideia que vamos apresentar um ritual Judeu, fica aqui apenas um fio de pensamento, para que o possa completar com o próprio raciocínio critico:

A palavra hebraica שבת, shabāt, tem relação com o o verbo שבת, shavāt, que significa "cessar", "parar". Apesar de ser vista quase universalmente como "descanso" ou um "período de descanso", uma tradução mais literal seria "cessação".

O dia de descanso dos Judeus é o Sábado, dia de Shabat, dia de merecido descanso, avaliação e ponderação da semana de trabalho.

O Shabat é introduzido com a declaração que o trabalho dos céus e da terra foram completos, e que eles permanecem perante nós em seu estado final pretendido de perfeição harmoniosa.”

Deus, após Adão e Eva terem provado da fruta do conhecimento, deixou-os ficar até ao Shabat, expulsando-os do paraíso no dia seguinte.

SHABAT ?

ADEVA...

terça-feira, 1 de junho de 2010


A C.A.L convida todos aqueles que nos acompanham e todos os outros que queiram estar presentes, para a apresentação do projecto AlaranjA, na SHE (sociedade harmonia eborense) já no próximo dia 4 Junho.

Apesar de se apresentar como performance, na verdade trata-se de uma articulação criativa de algumas ideias exploradas no workshop I de criação livre, que, quando aliadas umas às outras, depois de desconstruídas, proporcionaram a recriação de uma mensagem global exprimida através da corporalidade.
Aproveitamos para agradecemos à SHE pelo apoio, disponibilidade e interesse mostrado pelo nosso trabalho.

Apareçam, critiquem, manifestem-se e venham beber um copo connosco.

Cumprimentos,

C.A.L

terça-feira, 25 de maio de 2010

O Que Preciso Dizer

a todos os que acreditam
Depois de caiadas algumas paredes, de instaladas algumas pedras da calçada e de vidas desbravadas, chegou a altura de deixar fluir algumas palavras.

Custa-me divagar sobre processos e sobre pessoas, pois todos são únicos e trabalhamos na pureza de quem quer criar por entrega à Arte.
Na verdade vivemos disto que nos move, e digo vivemos porque o conceito de “sobreviver” não se enquadra no que fazemos. Sobrevive-se quando há dependência material, quando o prazer não é pleno, quando se faz algo sem o latejar da vida, porque tem de ser feito, porque há obrigação, porque o feito não nos traz brilho aos olhos, enfim, sobrevive-se numa tentativa de conseguir viver.
Não é o caso!
Estamos muito longe de pertencer à parte monetária e capitalista que move o mundo. Aqui Vivemos porque é a Arte ou a exploração desta, que nos define, que nos confronta, que nos questiona e que nos move para um encontro dentro e fora de nós, tornando-nos mais daquilo que somos na nossa essência, seja ela qual for, sempre tão única de pessoa para pessoa.
Não recusamos nem criticamos o dinheiro, é um erro fazê-lo, só não deixamos que seja o nosso motor de trabalho.

Depois de todo este tempo, em que passaram varias pessoas pela nossa comunidade - sempre com a mesma porta aberta para o mundo - onde, numa contagem geral, já podemos enumerar cerca de 25 pessoas envolvidas em projectos da C.A.L, com pouco mais de 1 ano de vida, é gratificante avaliar que continuamos a crescer uns com os outros e não nos instalamos na facilidade, que contagia tantas criações pelo mundo fora.

Continuamos sem estatuto, sem dinheiro, sem instituições que nos apoiem, salvo algumas pequenas como nós - a quem agradecemos de coração -, sem espaço, sem gente “grande” que venha ver o que fazemos… sem isto e sem aquilo… Mas, é com força, intensidade, explosão e com um respirar profundo de satisfação, que digo: Temos tudo o resto!!
Este “resto”, é tanto e tão grande, que, arrisco dizer, é aquilo que faz crescer a humanidade, é aquilo que faz a Arte comandar o homem, é aquilo que nos faz não desistir do mundo e de nós mesmos, aquilo que supera o que pensamos ser um limite, e entrega esse limite a um infinito.

Utopia? Nada! Aqui comprovamos isto que vos escrevo. Não é utópico, é real, e desejo que todos possam sentir esta vida a pulsar dentro, pelo menos uma vez e que possam criar com entrega, atitude e acima de tudo, ousadia!

Um grande obrigada a todos os que acreditam e se manifestam
Ana Leitão

terça-feira, 11 de maio de 2010

Workshop Criação Livre e Abordagem Criativa - modulo II



Depois de um trabalho onde se fundiu o corpo, a imagem e o criação performativa de exploração livre, abre-se o trabalho ao texto, à dramaturgia e intertextualidade.
Aliando o trabalho performativo e expressivo do corpo e a desconstrução como processo de recriação, propõe-se um workshop onde do texto parte o estímulo e a base de recriação a partir da desconstrução, numa experimentação da corporalidade.
Procura fundir-se a imagem; o corpo na imagem; a exploração do movimento, do som, do texto; o envolvimento rítmico; a agilidade criativa.
O objectivo é ter dois grupos inseridos no mesmo processo para experimentação da diversidade de projectos.


Objectivo:

. Trabalho de selecção de excertos de textos não teatrais
. Processo de compreensão e dramaturgia dos textos
. Processo de desconstrução e intertextualidade
. Divisão por imagens e cenas individuais
. Exploração livre da corporalidade/expressividade das imagens e das cenas, individual e em grupo, partindo de focos concretos
. Trabalho de pesquisa
. Fisicalidade/corporalidade como estimulo imagético
. Processo de exploração de trabalho individual para integração no todo
. Articulação das ideias objectivando um universo criativo comum

Datas:
4ªs e 5ªs das 18:30h às 21h (grupo 1)
das 21:30h às 00h (grupo 2)
(horários discutíveis)

Dias 26 e 27 Maio, 2 e 3, 9 e 10, 16 e 17, 23 e 24 de Junho
Apresentação na Bruxa Teatro dia 26 de Junho
(propõe-se outras apresentações a discutir com os grupos)

Duração: 5 semanas



Inscrições abertas a 6 participantes por grupo
Até dia 23 de Maio


Local: A averiguar

Preço: 50€
(facilidade de pagamento em 2 ou 3 vezes)

A trazer:
. Pequenos excertos de textos escolhidos individualmente
. Pequeno texto/frase autentico escrito sobre o tema presente nos excertos
. Pesquisa de Imagens que sugiram os textos

Contactos:

Ana Leitão: 965014968

Rubi Girão: 961248405

Mail: Geral_C.A.L@sapo.pt
ArtAna@sapo.pt

segunda-feira, 3 de maio de 2010

CoNheCi uM hoMeM qUe PoSsuiA uMa CaBeçA dE ViDRo

"No Religion
No Socialism
No Dogmatism
Brings us close to Paradise
Only Creativity does"
hundertwasser


Fotografias Ensaio





Depois do abismo, começar no nada. Partindo do nada Ser laranja.
Enquanto laranja ser universo. Ser mundo de infinitas possibilidades.
Criar superuniversos de pessoas laranja em orbitas constantes e irregulares.
Transmutar a realidade e buscar uma nova identidade.




Somos livres de pensamento, dificilmente somos livres de existir, mas a criação vem de nós mesmos.
A laranja existe
a laranja pode ter pensamento
a laranja faz criação.
A laranja será mais completa que nós?


Hoje quero ter a certeza de tudo e que tudo seja tão belo como
quando era criança...


Ora deus ou alguém to pague.
Hoje é o ultimo dia em que se fala nisto.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

APRESENTAÇÃO WORKSHOP CRIAÇÃO LIVRE E ABORDAGEM CRIATIVA

Vamos no próximo Sábado, dia 1 de Maio, apresentar algumas ideias exploradas durante o workshop, integradas na dinâmica de desconstrução para recriação, fundidas entre si, criando uma história colectiva que teve como pontos de partida o Existir e Pensar. Destes dois conceitos surgiram imagens, objectos, texto, movimentos e por fim, uma história que não foge ao tema, o ser enquanto existente e pensador no mundo. A divagação foi grande, aproveitando ideias, deixando outras para trás, para que no final nos tenhamos surpreendido com um ciclo de propostas que nos fizeram encontrar com o ponto de partida.

O convite fica feito a aparecerem no espaço da Bruxa Teatro, ex-celeiros da Epac, Évora, para assistirem e, posteriormente, comentarem, a estrutura, ainda sem nome, que propomos. A entrada é livre, é só aparecer.
Em breve vamos ter fotografias e um vídeo que o Castro já anda a tratar.
Apareçam, manifestem-se, comuniquem e criem connosco, rumo às alternativas.
C.A.L

terça-feira, 9 de março de 2010

Workshop Criação Livre

A C.A.L comunidade de artistas livres vai abrir um workshop ao público em geral no mês de Abril de 2010.

Orientado por :
Ana Leitão, como colaboração musical de Afonso Castanheira.

O Processo:

Partindo de estímulos concretos e exploração de objectos, numa pesquisa de abertura individual para o exterior, procura-se um trabalho sobre os sentidos, instintos, construção livre e improvisação criativa, objectivando o encontro com uma instalação viva no espaço.

Um trabalho performativo de desconstrução e exploração material e técnica apontando para o enquadramento individual num todo.

A imagem funde-se com o actor, com a palavra desconstruida na sua depuração e a musica alternando o movimento do corpo e a ambiência do espaço.

Objectivos:
. Estimulo e exploração da criatividade individual e em grupo
. Processo de desconstrução para recriação
. Exploração de técnicas performativas
. Exploração sensorial
. Interacção com o objecto
. Consciência de abertura da individualidade criativa inserida numa perspectiva de grupo
. Apresentação do processo como instalação de um espaço vivo

Local:
a Bruxa Teatro - ex celeiros da Epac

Datas:
dias 14 e 15, 21 e 22, 28 e 29 de Abril 2010
4ªs e 5ªs feiras das 19:30h às 21:30h

Apresentação dia 29 às 21:30h

12 horas totais de workshop

Preço:
60€ por participante

Inscrições abertas a 8 participantes
até 12 de Abril

Contactos:
965014968 - Ana ArtAna@sapo.pt
925752385 - C.A.L geral_C.A.L@sapo.pt

solicitar ficha de inscrição no blog ou email

sábado, 13 de fevereiro de 2010

CARÍCIAS, de Sergi Belbel






Carícias, um texto de Sergi Belbel, é a nova produção da C.A.L, inserida no projecto de mestrado da Ana, na Univ. de Évora.
Contamos com o trabalho da comunidade, embora com novos musicos em cena.

Um projecto a ver na Antiga Fábrica dos Leões, BlackBox. Apareçam.

Estará em cena somente dias 22 e 23 de Fevereiro, mas pretendemos abrir mais dias fora da Universidade.




Sinopse:


Caricias, de Sergi Belbel, apresenta-nos um retrato actual da sociedade.


Entrando por universos perturbadores e interditos de relações entre personagens em conflito, expomos, em dez cenas, a incapacidade de comunicação, a solidão, a fragmentação das relações afectivas, frustrações amorosas e tentativas falhadas de reconciliação.


Através de uma estrutura circular, a peça Carícias faz-se atravessar por personagens em episódios específicos das suas vidas manifestos em momentos limite, numa procura de relacionamento e compreensão afectiva.


Expondo a vida, a sociedade e seus medos, numa roda-viva de acções e emoções, pretende-se uma abordagem intimista, oscilante, que transmita a ideia de fotografia ou universo cinematográfico, inserido numa cenografia desconstruida e realizada a partir de materiais que nos transponham para uma realidade urbana.


terça-feira, 29 de dezembro de 2009

http://ruacheia.site90.net/ruacheia.html

site em construção.... mas já disponível


mais uma pedra na CALçada :)

Boas entradas para toda a família e para todos aqueles que nos acompanham.


sábado, 12 de dezembro de 2009

Espectáculos RUA CHEIA - Évora

Carla LeaL na Estreia de Rua Cheia. Inicio do conto
Carla Leal, na personagem Menina Eugénia


Música do André na personagem Velho do Mar


RUA CHEIA


Visto a lotação da sala ser de 30 pessoas na Casa dos Bonecos, a C.A.L vai abrir outro espectáculo domingo às 18h para outras 30 pessoas.
Assim, os espectáculos Rua Cheia serão:
19 Dezembro às 22h
(com exposição do processo artístico)
e
20 Dezembro às 18h

Para marcações contactem-nos
para email ou 925752385

Apareçam, divulguem,
cumprimentos
C.A.L

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Nova Produção - RUA CHEIA


Rua Cheia - espectáculo de Teatro, Poesia e Música. Nova produção C.A.L.


Viajando pelo universo das palavras, compõe-se a Música com o Teatro, passeando por personagens vivas numa Rua Cheia, em noite de Lua Cheia.

Dois musicos, uma actriz, e algumas histórias para contar...

Cheguei, à minha Rua Cheia, numa noite de Lua Cheia, daquelas noites em que toda a gente
sai à rua sem saber porquê.
Também eu saí e sentei-me, assim como estou agora, no degrau da casa da minha avó.
A Lua estava grande, bem grande num céu imenso, a sua luz tornava quase
inexistente a luminosidade dos candeeiros.
A rua, assim como a lua, estava cheia da minha gente, de pequenos momentos solitários,
que se cruzavam uns com os outros, aumentando a magia entre si,
ali diante dos meus olhos.

Estreia 11 de Dezembro - Clube Recreativo Penichense - Peniche.
Espectáculos:
11 e 12 Dezembro - 21h30 - C.R.P.
19 Dezembro - Casa dos Bonecos - Évora.
22h, com Mostra Artistica C.A.L às 23h.
Marcações e informações contacte a C.A.L.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

NOVOS PROJECTOS

A C.A.L alargou a sua comunidade. O Outono trouxe inspiração, novos projectos e novas presenças.
Encontramo-nos em processo de dois projectos com estruturas e linguagens muito diferentes que unem, mais uma vez, a equipa para introspecção e criação alternativa. O primeiro - que funde o Teatro com a Música, partindo da poesia de Al Berto e Samuel Beckett - a ser estreado em Dezembro. Pretendemos abrir este espectáculo ao público Eborense numa noite de mostra artística da C.A.L. O segundo, com estreia prevista para finais de Janeiro, envolve novos actores e músicos, que vêem proporcionar novas dinâmicas de trabalho e uma equipa bem mais numerosa. A partir da peça CARICIAS, do Catalão Sergi Belbel, este projecto está a ser realizado em parceria com o curso de Teatro da Univ. de Évora.
Interpretação:
Carla Leal
Dany Santos
Henrique Calado
João Bandeiras
Mónica Soares
Rubi Girão
Tânia Chita
Tânia Santos
Música:
André Penas
Afonso Castanheira
José Silva

Queremos deixar, desde já, um agradecimento a todos estes que se nos unem, que vivem a nossa energia, princípios, dinâmica e acreditam, como nós, na criação livre. Para a Mónica, que abraçou a produção destes dois espectáculos, um especial obrigado.
Daremos noticias, até lá... Boa Viagem!

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Processo Plástico Criativo

Só Trato Loucas Normais



Actriz e espectadora do meu teatro do mundo, deito os foguetes, convido e aplaudo.

Acuso os outros quando me queimo. Não tenho coragem nem amor próprio.

Zombam de mim. Dizem que não sou capaz de fazer um filho vivo, mais do que uma marioneta na ponta da guita…

Faço de conta que vivo e logo a seguir que morro.





Um escarrito sem jeito mal tirado.

Tosse fraca.

Pigarro.

Nada.

Perdão.

É-se educado ao tossir.

Põe-se a mão diante da boca.

Pede-se desculpa.

Foge-se.

Vergonha.




Mexo-me, gesticulo, desarticulo-me.

Sou de papelão.

Vejo cada uma das partes do meu corpo separada, exacta, decepada, precisa, isolada, desligada das outras: a boca, o nariz, o olho, o outro.

Repito: a boca, o nariz, o olho, o outro.

As palavras não fazem sentido. Já não representam nada.

Sons somente.




Deito-me aos pés da Senhora Psiquiatra. O silêncio é bom. Não nos mexemos.

Como em cima de uma almofada. Já não bulimos.

Enroscamo-nos com sorrisos de gato.

Observo-lhe as pernas. Uma liga preta fina frisada termina na presilha entre nylon e a pele.

Duas ligas esticadas quando ela se levantar.

Mais acima a cinta elástica deve tapar-lhe o umbigo, segurar-lhe o ventre redondo.

As meias repuxadas.

O sexo castanho dourado. Vermelho no centro.






Somes-te como um bicho por detrás dos teus olhos fechados,
cavas um mísero buraco,
escavas com as unhas no travesseiro,
recusas-te a despertar.




Fez o meu sonho em cacos. Já não respondo.


Hei-de arregaçar a saia, mostrar-lhe o meu segundo rosto e abrir os lábios. Escarlate.




Tu, apodero-me do interior do teu corpo…

O desejo congestiona-me os lábios.

O desejo tortura-me a fenda. A ferida que tenho no ventre tornada em sexo.


Um buraco… finalmente… é tudo…
Esta espécie de meio-pau mutilado. Um sexo sem passado doente



Decidi: A loucura escolhida escrita nas folhas, esta loucura feita com as minhas palavras e os meus desejos.

Lancei-me no delírio como uma imensa extensão de água à minha frente, impelida e atraída pelo meu duplo.

Os outros na margem, tentavam recuperar-me, interromper-me.

Proibiam-me que ultrapassasse as fronteiras da decência.

Investiam, seduziam-me com drogas, ameaçavam-me.

Eu fugia para mais longe.





quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Palavras Lidas

Nada melhor do que abrir um livro, uma revista, uma carta, um jornal... e deixarmo-nos surpreender pela compreensão das palavras, que parece existir, escritas por um alguém que não conhecemos de lado algum, mas que fazem todo o sentido para nós, mesmo que o tema possa parecer tão antagónico.
Assim, foi ainda este sábado que, ao abrir uma revista, na primeira página vejo este texto.
Institivamente tive de o vir inscrever nesta fachada caiada.

E diz Pedro Rolo Duarte:

"O país invisivel
Enquanto nos queixamos e enchemos a vida de lamúrias; enquanto julgamos os outros sem muitas vezes olharmos para nós proprios; enquanto discutimos irrelevancias e buzinamos no carro por razão quase nenhuma; enquanto relevamos dos dias o que menos conta no balanço final...
...Enquanto a imagem vale tudo e pela imagem quase todos procuram os seus cinco minutos de glória; enquanto atrás da imagem vão politicos e jornalistas, quem decide e quem pode mudar; enquanto fazemos a proporção da relevancia pela popularidade e nmenosprezamos o pormenor em função do efeito especial...
...Enquanto damos sentido e espaço ao olhar ácido do poeta: - "Estamos todos bem servidos de solidão. De manhã a recolhemos do saco, em lugar de pão"...
...Enquanto diabolizamos o dinheiro mas a ele nos submetemos; enquanto fazemos do consumo uma palavra de ordem e do desperdicio um modo de vida; enquanto nos centramos em manter a aparência e desprezamos o que tapa essa aparência...
...Enquanto dormirmos tranquilos porque temos na lapela o autocolante da pequena contribuição; enquanto nos basta a moeda ao arrumador e o cego que ajudamos a atravessar a passadeira; enquanto sentimos dever cumprido porque demos roupa velha aos pobres...
...Enquanto tudo isso compõe a nossa vida triste e diária, "o modo funcionário de viver" que O´Neil tão bem escreveu, há um Portugal invisivel que não espera por eleições nem anda aos gritos na rua, que não pretende maiorias absolutas nem se resigna no queixume, que tem capacidade de agir sem pedir nada em troca, que dá sentido à vida prolongando outras vidas, melhorando outras vidas. É um Portugal feito de gente igual a nós, a qualquer um de nós - mas é um Portugal melhor, porque deu parte do seu tempo aos outros sem querer nada em troca, a não ser a satisfação de ter dado.(...)"


Tantas palavras podem ser ditas a partir daqui, tantos pensamentos e deduções de quem é e pode ser este "país invisivel", de quem se sente parte ou fora desta "invisibilidade", que estando para além da imagem ou da não imagem, está na vontade e no que nos move a viver...
Pois bem, Pedro fala dos Voluntários do nosso país... Mas aqui fica o meu desafio lançado com um sorriso: quem são os "invisiveis" deste mundo?

Manifestem-se
CAL comunidade de artistas livres

O Regresso de Quem Sempre Andou por Aqui


Regressámos calmamente das merecidas "férias?!!", onde mais juntos ou afastados, fomos caiando algumas paredes e alimentando mais ideias.
Desde já temos um pedido de desculpa a fazer, pois por motivos de prioridade, tivemos de adiar as sessões de " TrATo LoUCas nORmAIS" para mais tarde. Estão previstas a partir de Janeiro, com reposição da 1ª sessão. A nossa intenção é esta, verdadeiramente, tendo em conta que temos de procurar espaços onde apresentar novamente.
Por agora já se vão temperando outros projectos, um ligado à poesia, para breve, mas que não será estreado em Évora e um outro, mais complexo, que volta a ligar todos os elementos da CAL em volta de um texto com o objectivo de transformar as palavras em matéria viva - CARÍCIAS de Sergi Belbel. Assim, contamos agora com novos actores que vieram embrenhar-se na actividade da CAL e contribuir com o que a arte tem de melhor - a atitude! Este projecto partirá, inicialmente, de um trabalho universitário, mas, objectivamos posteriormente poder apresenta-lo ao público em geral.

Noticias Plásticas - o nosso LEOPOLDO ANTUNES, está com uma exposição no PontoE, em Évora! Apareçam!

Entretanto continuamos a fazer da nossa sede as casas de todos nós, o nosso orçamento é o material com que trabalhamos e as instituições, vemo-las quando passamos por elas.

Sempre disponíveis a receber e partilhar ideias, sempre com vontade de um pouco mais, esperamos que nos contactem, que se manifestem, que ousem um pouco por aqui.

Cumprimentos
CAL

sábado, 18 de julho de 2009

Férias? Sempre em movimento!!

Para os que se interessam e que esperam notícias, aqui vai:
A CAL vai aproveitando estes dias de calor para reorganizar ideias e para desfrutar da família e dos momentos comunitários por onde vai passando, sempre na nossa alegria de viver, criar e observar mais sobre o mundo e o que nos rodeia.
Assim, já andamos de volta de novos projectos, nunca esquecendo que temos duas sessões da trilogia Só Trato Loucas Normais para apresentar. Em principio, a partir de Setembro, já daremos noticias mais especificas.
Esperamos que continuem a pensar criticamente e a trazer ideias e vontade de crescer na arte como no mundo.
Boas Viagens
Boas Férias
Manifestem-se, comuniquem, deixem opiniões e caminhem em direcção às alternativas
Cumprimentos
CAL - comunidade de artistas livres

quarta-feira, 8 de julho de 2009

CONVITE




A toda a CAL e aos que acompanham, fica o convite para o espectáculo de dia 9, 10 e 11, referido no cartaz.
Venham sozinhos, acompanhados, com cães ou gatos, mas venham.
Um abraço de familia
Lá vos espero,
A.M.