O texto que se segue é apenas aquilo que me apetece dizer neste momento, que nem eu mesma sei muito bem o que é.
Num olhar aprofundado sobre o trabalho, empenho, dedicação, amizade, entrega, diversão, criação, conversas, oscilações, vontades, partilhas que temos feito enquanto CAL, fica, entre muitos outros sentimentos, a certeza de quem somos, a certeza da determinação criativa de quem faz aquilo que quer, que gosta, que sente, sem depender de praticamente nada a não ser de nós próprios.
Nem sempre é fácil, sentarmo-nos, com uma garrafa de vinho para ajudar à conversa, as ideias a surgirem, os projectos a quererem surgir, e depararmo-nos com as dificuldades económicas e burocráticas de o fazer, mas também é exactamente isso que nos faz superar aquilo que pensávamos serem obstáculos criativos.
No final da apresentação da primeira sessão, numa destas conversas da comunidade, observei um pensamento tive enquanto deambulava pela minha casa, no burburinho nervoso de quem vai estrear um espectáculo… «Onde andarão os representantes da cultura da nossa cidade?». Foram convidados, obviamente, tiveram conhecimento do projecto, do seu desenvolvimento, das suas apresentações, como fizemos, aliás, com todos aqueles que nos estão ligados, mas, ao contrário da maioria destes, os representantes da secção cultural da CME não compareceram.
Fica a pergunta: Como? Como podem esses senhores representar tal departamento, se não se interessam ou não procuram o que de alternativo se faz numa cidade tão pequena, como Évora? Precisamos ter um “nome”? Uma “imagem” mais forte? Mover mais público ou mais dinheiro?
Gostava muito que, se por acaso alguém ler este pequeno documento, que não interpretasse isto como uma afronta ou critica depreciativa, pelo contrário, o que pretendo, é exactamente e simplesmente fazer pensar, fazer descer, quem está no topo hierárquico da movimentação cultural, aos universos alternativos daqueles que criam apenas porque amam o que fazem, e que o fazem apenas porque querem dar um pouco de si e da forma como vêem o mundo, movimentando públicos diferentes, de vontades diferentes e com criticas diferentes.
Fica aqui então o convite às entidades da cultura da cidade de Évora, como a todos os outros que vão sabendo de nós, que compareçam, critiquem, manifestem o seu ponto de vista, ao que de humilde se vai fazendo na CAL.
Atentamente
A.M.L